Na Grécia Antiga, um incêndio criminoso levou o nome de seu autor à história, tornando-o referência até mesmo na psicanálise.
Heróstrato foi um sujeito invejoso, medíocre e narcisista que, incapaz de criar o belo, decidiu destrui-lo: incendiou o Templo de Ártemis, em Éfeso, uma das sete maravilhas da antiguidade, com a intenção mesquinha de tornar seu nome conhecido em todo o mundo.
O monstro assumiu autoria pelo crime e foi executado. Para impedir que sua fama se estendesse pelos tempos, Heróstrato teve seu nome condenado ao esquecimento, com sua menção proibida, levando quem o pronunciasse à morte.
O esforço foi em vão e o nome de Heróstrato resiste ainda hoje ao teste do tempo. A psicanálise cunhou a expressão Complexo de Heróstrato para diagnosticar personalidades que fazem tudo para chamar a atenção e para conquistar fama, como promover tiroteios em escolas ou destruindo o que é belo, precioso e raro, tal qual o antigo Templo de Ártemis.
Inspirado por tão odioso e infame personagem, Jean-Paul Sartre escreveu aquele que considero o melhor conto que já li na vida: “Erostrato”, presente na genial coletânea “O muro”. Este conto pode ajudar a entender a cabeça e o espírito de personalidades que, como Heróstrato e Wellington Menezes de Oliveira, destroem, por mera vaidade e ilusão de poder, o que outros consideram belo.
Há muitos Heróstratos em meio a nós, com fácil acesso às armas, planejando a destruição de tudo e a morte de inocentes. Destruidores desejam sangue e fogo, mas, sobretudo, almejam a honra da fama; atirar em crianças numa escola é um dos melhores meios de conquistá-la. Hoje, o nome de Wellington não sai do noticiário. Amanhã, é capa de revista. Isto é fama.
*** Republicado por ocasião do tiroteio na estreia de O Cavaleiro das Trevas Ressurge no Colorado, Estados Unidos.