29.12.12

As melhores leituras de 2012

Lista composta pelos melhores livros lidos ao longo do ano, não necessariamente lançamentos. Excluo as leituras de cabeceira — aquelas às quais eu recorro com frequência e que ocupam posto permanente de leituras favoritas, ano após ano.

É muito provável que eu tenha esquecido alguns títulos. Logo, vamos à lista que consegui apurar.

"É…", de Millôr Fernandes (L&PM)
Impressionante espetáculo teatral do Guru do Méier sobre feminismo, costumes, abismo de gerações, sociedade e relações afetivas. Me fez rir, chorar, refletir e repensar. Abismou-me, chocou-me, ensinou-me. Leitura obrigatória para quem… bem, para quem está vivo e sabe ler.

"O enterro prematuro e outros contos do mestre do terror", de Edgar Allan Poe (BesourBox Edições)
Eu sempre tive certa resistência à obra deste importantíssimo autor porque o terror pouco me comove. Tive que conhecer esta bela edição da BesouroBox, prefaciada por Caio Riter, para finalmente compreender Poe. O conto “O coração delator” teve tamanho impacto em mim que me pôs reflexivo por algumas semanas. Assim, descobri que Poe recorre ao sobrenatural para escrever sobre o que de mais natural existe: o espírito humano. 

"Baby’s in Black, o quinto Beatle", de Arne Bellstorf (8INVERSO)
Comovente graphic novel sobre a breve e trágica história de amor de Stuart Sutcliffe, o quinto Beatle, e a fotógrafa alemã Astrid Kirchherr — criadora do corte de cabelo e do visual que fez a fama da banda inglesa no início dos anos 60. A passagem dos Beatles por Hamburgo serve de pano de fundo para a história de um amor jovem, intenso, grande e ímpar. Belíssima leitura.

"Bourbon Street - Os fantasmas de Cornelius", de Phillipe Charlot e Alexis Chabert (8INVERSO)
HQ que apresenta a história de Alvin, um guitarrista de terceira idade na Nova Orleans dos anos 90 que, desgostoso por nunca ter alcançado a fama com sua banda de jazz, empolga-se com o sucesso comercial do grupo cubano Buena Vista Social Club. Alvin decide, então, remover seus antigos parceiros musicais do ostracismo e partir em busca de Cornelius, exímio e insubstituível trompetista, desaparecido há 50 anos. Obra que fala sobre a importância de recomeçar e partir em busca de um sonho que fora adiado por muito tempo. Destaque para as cores de Sébastian Bouet, que traduz a nostalgia dos personagens em tons pastéis. 

"Adormecida: cem anos para sempre", de Paula Mastroberti (8INVERSO)
Eu fiquei boquiaberto quando vi os originais desta obra inteiramente feita à mão, entre 1988 e 1990 e só agora publicada. Não pude acreditar que uma graphic novel de tamanha qualidade artística e narrativa tivesse sido produzida aqui no Brasil, em Porto Alegre, por uma artista que eu já conhecia pessoalmente. A história é uma reinvenção do conto clássico “A bela adormecida”, mas pelo ponto de vista do príncipe e sob traços mais sombrios e sensuais. Gosto MUITO das primeiras páginas que me lembram o filme Duna, de David Lynch. O final é surpreendente e deixa aberto para o leitor imaginar a continuidade da história. É de arrepiar! Leitura recomendadíssima.

"A pau e corda", de Rônei Rocha (Editora Proa)
Coletânea de crônicas do psiquiatra gaúcho que reúne textos publicados na imprensa de Uruguaiana, Rio Grande do Sul. Nesta obra, Rônei mostra-se cronista competente, preciso e bem-humorado, o que alivia o peso de assuntos como suicídio, bullying, ansiedade e crise de meia idade. Com frequentes citações a episódios vividos em seu consultório, ou de passagens de sua vida pessoal e familiar, o autor revela que há algo de curioso e instigante nas nuanças do psiquismo humano. Em momentos, o texto de Rônei lembra o melhor do Moacyr Scliar, um dos meus autores preferidos e que também se dedicava à crônica. Bela, bem-humorada e ágil leitura que nos faz refletir sobre o ordinário e o extraordinário.

"Capitão América: a escolha", de David Morrell e Mitch Breitweiser (Marvel/Panini Books)
Capitão América e Super-Homem são os mais caretas, politicamente corretos e idealistas dentre todos os heróis das HQs. Por isso, muita gente os acha entediantes. A estes leitores, escapa a profundidade de ambos personagens, em especial do capitão Steve Rogers. Li esta graphic novel há apenas dois dias e ela ainda me emociona. Aqui, Capitão América é retratado como um herói frágil e solitário que sofre por ter a companhia da morte por muitas décadas. Agora, ela finalmente o aflige: vemos o personagem moribundo no leito de um laboratório preocupado em encontrar um substituto. A longo da história, há um intenso debate sobre moral, valores, abnegação, idealismo e altruísmo. A influência da ascese cristã é evidente, o que torna Capitão América um personagem de forte empatia e comoção.

"Crônicas marcianas", de Ray Bradbury
Clássico da ficção científica que possui tantas camadas de leitura quantas o leitor consiga perceber. Ray Bradbury é um narrador exímio e inventivo que encontra soluções inteligentes para histórias sofisticadas. Aqui, o estilo fantasioso é palco para reflexões pertinentes sobre o Humano e o que de mais inesperado habita em sua existência. Título facilmente encontrado em qualquer biblioteca pública, dada a sua popularidade.

11 notas

  1. gilceane reblogou esta postagem de bumerangue
  2. bumerangue reblogou esta postagem de bumerangue e acrescentou:
    *** No link, uma lista já publicada neste blog e que serve também como recomendação literária.
  3. onemorecupofcouffee reblogou esta postagem de bumerangue
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