Uma reflexão interessante e necessária que compartilho com meus amigos e colegas jornalistas.
Por motivos profissionais, entrei em contato com um editor alemão, perguntando a respeito de números de vendas e resenhas na imprensa internacional sobre um título que a Editora 8INVERSO vai publicar em breve. Ele, educadamente, retornou com uma extensa lista de referências na imprensa e resenhas em blogs e sites de grandes jornais — 95%, americanos. Apesar de o livro de ter sido publicado em um punhado de países europeus, a repercussão na imprensa do Velho Continente não se compara àquela obtida nos Estados Unidos. A quantidade de veículos americanos dedicados a resenhar livros, divulgá-los e noticiá-los é assombrosa!
Isto me fez pensar sobre o quanto o mercado de jornalismo no Brasil ainda tem a aprender e a crescer. Vemos centenas e centenas de jovens saindo da universidade graduados em jornalismo, muitos com um currículo excelente, com passagens por estágios e freelas nas mais diversas áreas, inteligentes, cheios de gana e ambição e temerosos quanto à falta de espaço no mercado de imprensa brasileiro. Temor que justifica-se quando olhamos ao redor. Aqui, comparo: deveríamos ter os Estados Unidos como um exemplo a ser seguido. Deveríamos incentivar a profissionalização da Comunicação, ampliando a quantidade de sites, revistas e jornais em circulação, aumentando a quantidade de empregos criados, o que oxigenaria as próprias faculdades de Comunicação Social, tornando o mercado mais dinâmico e diversificado.
Vivemos em um país vasto, com grande população urbana, de economia pujante e com um povo empreendedor e ávido pela comunicação e pelas relações. É de se pensar que um país com estas características teria um mercado de comunicação, de jornalismo, edição e publicação igualmente forte e diversificado — o que não acontece. E por quê? Monopólio de mídia? Desinteresse natural pela informação? Renda baixa, se comparada àquela de países desenvolvidos? Complexo de vira-latas?
Respostas me escapam, logo, fico com a reflexão e a nítida percepção que há espaço para este mercado crescer. Há mão de obra precisando de trabalho, há renda em ascensão, há buracos a serem preenchidos. Minha esperança é que as novas gerações de empreendedores da Comunicação abracem a causa de ampliar este mercado, o que, no atual cenário, é quase um dever cívico.