Alô, vocês que acham bobagem o envio de mais um robô a Marte para pesquisar o planeta vizinho, enquanto há crianças com fome, populações de miseráveis e outras tragédias humanas aqui na Terra! Vamos esclarecer algumas coisas?
1) Robôs, foguetes e satélites também ajudam a combater a pobreza, na medida em que nos permitem desenvolver tecnologias que podem ser aplicadas para conhecer nossos terrenos, planejar ocupação do solo, prever alterações no clima, controlar colheitas e fronteiras e programar obras públicas de infraestrutura. Todo país que se propõe grande usa todos os seus recursos para melhorar a vida de seu povo e contribuir com pesquisas que beneficiam toda a humanidade.
2) Da mesma forma em que há pesquisadores olhando para as estrelas, há pesquisadores tentando criar uma forma barata de tornar a água suja, potável para os milhões de refugiados pelo mundo; outros tentando prever enchentes e tufões que desabrigam milhões de pobres em muitos países; outros tentando melhorar o sistema de produção de alimentos para que ele polua menos e seja melhor distribuído; outros dedicados a entender o corpo humano e a combater males físicos e psíquicos que até há pouco tempo eram considerados influências demoníacas. Toda pesquisa científica é importante porque nos afasta da superstição e do medo do desconhecido que nos cerca e nos atravessa.
3) Ficamos revoltados quando percebemos que a Natureza é negligenciada nesta Terra, mas esquecemos que o Cosmos também é Meio Ambiente: gastar bilhões estudando luas, planetas, asteróides, investir fortunas em sondas que vagam pelo espaço (e que ninguém sabe se vão funcionar direito), construir observatórios ou enormes e caros instrumentos que medem as galáxias do céu ou as partículas subatômicas que perfuram a crosta terrestre, tudo isto também é estudar o Meio Ambiente. Natureza não é só mata, ursos, baleias, banhados. O deserto marciano é tão importante quanto a Amazônia. Não podemos negligenciar nem um nem outro.
4) Investir em ciência é investir nos estudantes — desde as séries iniciais. Feliz de um povo que dá a liberdade para que seus jovens possam dizer “quando crescer, eu quero ser projetista de foguetes espaciais”. Quem dera todos os povos pudessem participar de um projeto mundial de astronomia e ciência espacial. Um dia, quem sabe, chegaremos lá. Mas para isso, precisamos investir mais, mais e mais, cada vez mais, em ciências. Todas as ciências. Inclusive a espacial.