“Livrarias digitais estão definindo estratégias de mercado com base nos dados fornecidos pelos aplicativos que os leitores de e-books usam. Para aprimorar seus serviços, as americanas Barnes & Noble e Amazon – que têm seus próprios equipamentos e aplicativos para e-books – aproveitam dados como a frequência de leitura e as marcações que os leitores fazem de páginas e trechos, segundo uma reportagem do Wall Street Journal. A Barnes & Noble compartilha algumas informações com editoras. No Brasil, grandes livrarias nacionais já acompanham a tendência de analisar hábitos dos leitores. O Saraiva Digital Reader, aplicativo da livraria Saraiva para várias plataformas, coleta dados como o tempo de leitura e os dias da semana em que o usuário mais lê. Joaquim Garcia, diretor de tecnologia da informação da Livraria Cultura, fala que a empresa já trabalha para ter um sistema parecido.”
O trecho que eu grifei explica o que é um e-book, o quanto ele se distancia dos nobres propósitos da literatura e o motivo do aparelho ser tão laudado e elogiado nos últimos anos: pela sua capacidade de fornecer informações sobre hábitos de consumo.
A Literatura é uma manifestação cultural que se propõe ao desvelamento, à mudança, à revolução íntima e social - e livros são seu instrumento mais eficiente de disseminação. Como prova o trecho acima, um e-book é um instrumento que tem compromisso tão somente com o CONSUMO de e-books.
Nos próximos anos, e-books e livros eletrônicos se tornarão produtos cada vez mais populares e consumidos, afetando até mesmo a venda de livros impressos. Mas isso, de forma alguma, significa que nós seremos uma sociedade mais iluminada e menos bárbara. Assim, acreditar no e-book enquanto maravilha literária é submeter-se a um opressivo engodo e à manipulação das empresas de tecnologia.
Neste link, Martha Medeiros mostra lucidez quanto à coleta dos hábitos de leitura de usuários de e-book: “A escritora Martha Medeiros, cujo e-book ‘Noite em Claro’ é sucesso na Cultura, diz que jamais levaria em conta dados sobre leitores. ‘Não estamos trabalhando com uma margarina’, afirma”.