Tardiamente, assisti Vingadores. Enumero minhas impressões abaixo.
1) Alguns diálogos canalhas e exageradamente dramáticos tiram a tensão da narrativa e nos fazem rir quando não deveríamos.
2) Embora previsível em alguns momentos, a direção é muito boa e concentra algumas doses de humor e algumas sutilezas narrativas que podem passar despercebidas diante dos zilhões de máquinas e armas científicas que entram e saem de cena a todo minuto.
3) Os personagens do mundo de Thor continuam com diálogos épicos e chatos e toda vez que um deles entra em cena agitando cetros luminosos, armaduras douradas e capas esvoaçantes, imagino que vá perguntar pelo próximo ônibus para a Sapucaí.
4) O filme do Capitão América me fez adorar um personagem que eu sempre ignorara. Em Vingadores, o capitão Steve Rogers tem ali mais uma excelente representação. Capitão América é um herói no sentido mais amplo da palavra: aponta para um ideal físico e moral de homem. É virtuoso, leal, dedicado, abnegado, honesto, e também ágil, incansável, forte e corajoso. É um personagem fascinante porque contrasta com a arrogância de Thor, a timidez de Bruce Banner e a vaidade megalômana de Tony Stark. Saí do cinema querendo ser Capitão América. Ou seja, em mim, o herói cumpriu sua função: inspirou-me pela virtude.
5) Finalmente um filme que entendeu Hulk e evitou a densa e sombria carga psíquica do primeiro filme e o Edward Norton falando português. Bravo!
6) Scarlett Johansson é pouco espontânea como Viúva Negra.
7) Não entendi a reviravolta na história, com os Vingadores voltando-se contra Fury, que a princípio os unira para combater o vilão Loki. Os diálogos pouco explicam a narrativa, deixando muitos pontos cegos para o espectador adivinhar (eu digo adivinhar, e não supor).
8) Já falei no Capitão América, enquanto ideal de homem virtuoso?
9) O Capitão América pilota uma moto no final! Que cara genial!
10) Quem consegue segurar a bexiga mais um pouco e não sai correndo da sala do cinema assim que o filme termina, assiste uma deixa para uma sequência à obra e é presenteado com a “moral da história”: o homem é mais forte de que supõe. Super-heróis de histórias em quadrinhos representam justamente esta força sobre-humana que anda em meio a nós — e, muitas vezes, dentro de nós. Todo mundo pode ser um pouco super herói. Eu, se pudesse escolher, seria o Capitão América. Mas tomara que o Batman não me escute!