19.1.12

Da leitura de livros em tempos de tablets

“A humanidade nunca leu tanto quanto agora. Porque os textos estão em toda parte, porque a alfabetização se tornou necessária devido ao comércio e à administração, porque o mundo digital é basicamente um mundo por escrito. A questão é, portanto, a das práticas que não são mais da tradição literária ou de ensino. Daí o papel da escola. Ela deve ensinar as habilidades necessárias para nossos futuros cidadãos ou consumidores que serão confrontados com a escrita. Deve mostrar que existem diferentes maneiras de ler para diferentes necessidades. Também deve organizar a ordem dos discursos e, assim, manter o lugar dos ‘clássicos’, não porque eles são ‘clássicos’, mas porque, com outros (sic), mas talvez melhor do que outros textos, ajudam a pensar sobre o mundo, natural ou social, a compreender as relações com os outros, a fazer as perguntas essenciais da existência e a desenvolver uma crítica às instituições, às informações, às autoridades.”

— Roger Chartier, pensador e estudioso francês dedicado ao texto e seus suportes.

Íntegra. Via Facebook da Ana Paula Cecato.

Ao lado dos autores Hermes Bernardi Jr. e Dodô Azevedo, participei de uma mesa de debates sobre o livro, a literatura na internet e a diferença entre os suportes impresso e digital, em 2008, embasada no próprio Chartier. No ano seguinte, assisti uma palestra do entrevistado sobre estes mesmo temas. Quem se preocupa com o futuro da literatura, da escrita e do texto nos novos suportes e-book e tablet, deve ler a entrevista do link. Recomendo também a obra “A aventura do livro: do leitor ao navegador”, do próprio Chartier, para entender a origem do livro como o conhecemos hoje e das diferentes relações com o ato da leitura que diferentes suportes ao texto escrito provocam.

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  1. bumerangue posted this
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