Segundo as tradições zodiacais, os nativos do signo de Câncer são dotados de grande inflexão memorialista e nostálgica. Eu não sou canceriano, mas me percebo muito reflexivo e abismado com a passagem do tempo. Neste ano, completo 30 anos sobre esta terra e, a cada ano vivido, tenho mais e mais a sensação de que um ano é muito pouco. Este não é um post nostálgico, mas, sim, inegavelmente memorialista sobre o tempo.
Neste ano, ocorrem as Olimpíadas de Londres. Isso me impressiona muito porque ainda estou refletindo sobre as Olimpíadas de Pequim, evento periódico que ocorre com o mesmo intervalo de tempo que as eleições americanas. Tenho a impressão que a posse de Obama aconteceu há 15 dias e neste ano ele já vai entrar em campanha de novo.
O 11 de Setembro aconteceu há uns três meses; a invasão ao Iraque, há dois. A Crise Financeira, há dez dias. E parece-me que os produtores do show da Madonna estão desmontando o palco no Rio de Janeiro nesta manhã, cidade escolhida ontem ao entardecer para sediar as Olimpíadas de 2016.
Eu entrei na universidade há um mês e saí dela há quinze dias. Trabalhei em redação de revista, jornal institucional, assessoria de imprensa, radioescuta, empresa de ônibus, Justiça Federal, Feira do Livro, Bienal do Mercosul, fiz dezenas de freelances, viajei a trabalho e a lazer, amei, desamei, fiz muita festa, publiquei livro, apresentei palestra, produzi evento, ganhei e perdi dinheiro, ganhei e perdi amigos — tudo em 11 anos comprimidos em, sinto, 11 dias.
Ainda penso sobre o show de Kiss, em 1999, e de conversas com amigos em 1998. Lembro de CDs que comprei em 1995 e de viagens em 1994 — ano do primeiro governo Fernando Henrique Cardoso. Lembro do primeiro dia da Guerra do Golfo, com suas imagens esverdeadas na primeira transmissão televisiva em tempo real de um conflito armado. Lembro do Pedro Bial como um repórter fodidão em matérias sobre o Muro de Berlim e do Silio Boccanera na queda do mesmo muro, em 1989. E lembro de, naquele ano, ter votado no Ulysses Guimarães numa simulação de eleições presidenciais na escola.
E agora, caraca, é 2012. O Brasil está melhor, o mundo também. Há mais acesso à informação, os brasileiros estão mais educados e conscientes do que é cidadania e democracia. As ruas estão mais limpas; a tecnologia doméstica, mais barata. O abismo que separa a América Latina do mundo industrializado está menor. Temos mais dinheiro; logo, mais futuro. Quando se compara 2012 com, por exemplo, 1992, as melhorias são inegáveis. O que nos leva a concluir que “as coisas” sempre vão mudar e melhorar. Podem demorar vinte anos ou mais; porém, vão melhorar.
Pode vir, 2012. Venha e ouse ser melhor. Sei que o será.