26.12.11

Do fim do livro impresso

“Em tempos de crescente interesse por livros eletrônicos e aumento no consumo de tablets, uma editora que funciona em esquema de comunidade hippie no sul da Índia tem chamado atenção por seus livros artesanais.

Só no Brasil, quatro casas, entre elas, Martins Fontes e Scipione, já importaram versões traduzidas das obras da indiana Tara Books. São histórias ilustradas, em geral infantis, editadas e impressas à mão, num processo em que cada página é uma gravura, com cores aplicadas uma a uma em camadas diferentes.

(…) No fim de uma conferência sobre o futuro do livro na tradicional Feira de Frankfurt, executivos cercaram o estande da Tara afoitos para fechar um negócio diferente, impossível de fazer nos e-books.

(…) ‘Vejo editoras no mundo todo com um interesse maior em criar objetos que não sejam reproduzíveis no formato digital’, diz o editor Alexandre Martins Fontes. ‘Esses livros são tão complexos e difíceis de fazer que são obras de arte, já não são mais só um produto industrial.’”

— Da Folha de São Paulo, enviado por e-mail pelo Cássio Pantaleoni, publicado na íntegra também aqui.

Temer o fim do livro impresso é ingenuidade ou açodamento. Na faculdade de jornalismo, aprende-se que nenhum novo suporte elimina o anterior. O rádio não acabou com o jornal; a TV não acabou com o rádio nem com o cinema; a internet não acabou com a TV, nem com o rádio, nem com o cinema e nem com o jornal. Todos os suportes se viram obrigados a ADAPTAR-SE, estimulando alterações em seus conteúdos e buscando novas maneiras de se relacionar com os leitores, ouvintes ou telespectadores (leia-se interação). O mesmo acontecerá com o e-book e iPad. Os livros impressos continuarão existindo, apenas irão se adaptar para atender a um público que passa a ter outra alternativa — esta, digital. Um suporte não elimina o anterior; pelo contrário, o complementa e o força a mudar.

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  1. bumerangue posted this
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