Junho 2013
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A propósito das críticas aos protestos em SP e Rio, cito David Bowie:
“And these children that you spit on / As they try to change their worlds / Are immune to your consultations / They’re quite aware of what they’re going through / Ch-ch-ch-ch-Changes”.
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O mais interessante sobre os protestos de São Paulo é que, tanto lá como cá, eles se opõem a uma má política municipal — aqui, praticada pela oposição ao PT e lá, pelo próprio PT. Isso revela que o movimento é um só e não é contra ou a favor de um partido.
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Houve protestos contra o aumento do preço das passagens de ônibus também em Goiânia, há algumas semanas. Li que uma faixa dizia: “Vamos repetir Porto Alegre” — uma referência clara ao bem-sucedido levante popular na capital gaúcha, do qual eu participei, que conseguiu reverter o aumento das passagens de R$ 2,85 para R$ 3,05. A revolta generalizada revela que a insatisfação é geral e denuncia algo para o qual o governo federal faz vista grossa: o aumento da inflação e da baixa qualidade dos serviços públicos, que parecem incapazes de melhorar. O Brasil está caro, muito caro, e os produtos e serviços não correspondem ao seu valor cobrado. Claro, não pra quem pode pagar mais e comprar o melhor, o que faz do Brasil não um país de todos mas de poucos, muito poucos.
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Em 2014, teremos eleição. As coisas podem mudar.
Trechos de três obras cujos personagens centrais administram o nascer da maturidade.
“Trinta anos… A promessa de um decênio de solidão, uma lista cada vez menor de companheiros solteiros, uma súmula cada vez mais reduzida de entusiasmo, os cabelos cada vez mais ralos… Mas ali estava Jordan a meu lado, uma criatura que, ao contrário de Daisy, era demasiado sensata para conduzir consigo, de uma época para outra, sonhos já quase esquecidos. Ao passarmos pela escura ponte, seu rosto pálido recostou-se preguiçosamente em meu ombro, e o formidável golpe dos trinta anos extinguiu-se à pressão tranquilizadora de sua mão.”
“O Grande Gatsby”, de F. Scott Fitzgerald
“Trinta anos! E 14.400 francos de renda. Cupons a receber todos os meses. No entanto não sou um velho! Que me deem alguma coisa para fazer, qualquer coisa… Melhor seria que pensasse em outra coisa, porque nesse momento estou representando para mim mesmo. Sei muito bem que não quero fazer nada: fazer alguma coisa é criar existência — e já há existência suficiente sem isso.
A verdade é que não posso soltar minha caneta: acho que vou ter a Náusea e tenho a impressão de retardá-la enquanto escrevo. Então escrevo o que me passa pela cabeça. (…) Pensamentos sobre Anny, sobre minha vida estragada. E depois, mais embaixo ainda, a Náusea, tímida como uma aurora.”
“A náusea”, de Jean-Paul Sartre
“Há muito tempo não me olhava no espelho. Estava estranho com aquela barba e sem um dente da frente. Peguei uma tesoura e cortei o cabelo. Raspei a barba. Tomei um banho de banheira.
— Está na mesa! — Martina bateu na porta. Vesti uma roupa limpa e desci. Velas, louça chinesa, taças de cristal. Champanhe. O garoto estava limpo. Com uma grande colher, não parava de olhar pra mim. Punha mais comida fora da boca que dentro. Era um garoto muito bonito. Martina também estava bonita. Seu cabelo: preso por um elástico. Suas mãos calejadas. Um pouco mais velha, mas ainda muito bonita. Um gato pulou no meu colo, me assustando. Todos riram. Inclusive eu. Jantamos sem nos falar muito. O barulho do gerador preenchia o nosso silêncio. Poucos cães latiam.
(…)
Quando acordei, o garoto já estava de pé, brincando com os cachorros. O céu estava limpo e fazia muito calor. Subi na moto colocando a mochila nas costas. Olhei para o céu e para tudo ao redor. O mato cobrindo as paredes. As tábuas na janela. O garoto correu até perto de mim e ficou me olhando com o dedo na boca. Sorri para ele. Fios de ouro.
— Como é seu nome?
Ele não falou nada. Continuou me olhando.
— Como é que a sua mãe te chama?
Continuou me olhando. Será que ele sabe o que significa mãe?
Tirou o dedo da boca e falou baixinho:
— Mário…
Pausa.
Olhei novamente para tudo. Dei a partida na moto e acelerei. Ele pôs a mão no ouvido e sorriu. Engatei a primeira e saí. Vi pelo retrovisor, o menino com o braço erguido, dando tchau. Parei a moto e voltei. Olhei para ele. Joguei a mochila no chão, peguei e o sentei no meu colo.
— Segura firme, tá?
Ele se segurou no guidão. Engatei novamente a primeira e partimos.”
“Blecaute”, de Marcelo Rubens Paiva
Maio 2013
35 postagens
Este dia foi demais. Concluí a abertura da minha empresa, redigi minha primeira ata de reunião de condomínio, tomei café com minha mãe no final de tarde, o treino foi bom, saiu reportagem de um livro que eu assessorei numa revista do jornal O Globo e meu amor sobreviveu a esta segunda-feira que tinha tudo pra ter cara de bunda. Dia nota 10.
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Tenho pensando em adquirir um felino. Eles me parecem higiênicos e bons para manter num AP de um dormitório. Mas eu sempre penso no sofá escuro cheio de pelo e o Guilherme diz que eu tô mais pra cão que gato. Porém, já vi muito gato brincalhão, companheiro e divertido que só não é cachorro por detalhe. Sugestões?
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Vi pela TV o jogo do Santos contra o Flamengo no novo Mané Garrincha e pude constatar que aquela arena já era uma das minhas preferidas desde o projeto. Que estádio incrível! Elegante, imponente e, mais importante, não concorre com uma paisagem marcada por importantes ícones da arquitetura mundial. Pelo contrário, agrega valor. Gosto muito das novas arenas construídas ou em construção ou reforma. A segurança e a estabilidade da infraestrutura dos novos equipamentos serão um ótimo legado da Copa do Mundo, dado que os brasileiros adoram ir ao estádio, seja para ver futebol, fazer turismo ou assistir um show. O Brasil precisava melhorar seus estádios e fico feliz que esse ponta-pé na bunda tenha dado certo. Dois são os problemas que surgem agora com as novas arenas: a manutenção, que deve ser diária, e o encarecimento do preço dos ingressos do futebol brasileiro. Afinal, alguém tem que pagar a conta pelas novas construções. É de se esperar que a responsabilidade recaia sobre os fãs de futebol, o que é lamentável.
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Estou (re)lendo O Grande Gatsby e sinto cada vez menos vontade de assistir essa coisa hiperbólica que vai estrear em breve no cinema.